quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Eu te "ei"!


Ei, pequena, minha pequena, me chama de grandão? Me chama com sua voz de dengo, me chama com sua voz de saudade, com a voz que você faz quando me acha "fofo", me chama!


Ei, pequena, minha pequena, me abraça pra dormir!? Não precisa ficar me assistindo, dorme comigo, acredita, eu vou estar aqui ao seu lado quando acordar.


Ei, pequena, minha pequena, vamos nos amar? Na cama, no sofá, na mesa, no carro, onde for. Me deixa ser seu primeiro, me deixa ser seu único, me deixa ser seu.


Ei, pequena, minha pequena,  vamos nos amar pra sempre? Não precisamos estar juntos, não precisamos amar só um ao outro, mas promete me amar pra sempre?


Ei, pequena, minha pequena, vamos ser amigos? Pois é, meu amor, eu serei sempre seu, mas meu amor por você é este, pleno, sem egoísmo, sem posse, sem cobrança, com carinho, com desejo incontido, mas respeitoso, com total desejo pela sua felicidade.


Ei, pequena, minha pequena, vamos criar uma língua!? Faremos um código, daremos novos sentidos a palavras velhas, esconderêmos nosso amor em um "ei", em um "i", ou até em um ".". Mas não esquece de falar, de me dizer "ei"!


Ei, pequena, minha pequena, eu te "ei"! 

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Idiossincrasias mil




Era alguém peculiar.

Não gostava do comum, do padrão.

Amava o belo, claro.

Mas amava principalmente o diferente.

Transbordava testosterona, como dizia a Índia. 

Mas era também extremamente feminino, sua sexualidade sendo confundida diversas vezes.

Aparentemente calmo, vivia num turbilhão interno.

Queria mudar. Queria se mudar. Queria mudar o mundo.

Extremamente inseguro com o sexo oposto.

Extremante seguro com o sexo.

Extremante sexual.

Dengoso e carinhoso.

Bobo, besta, idiota.

Inteligente, safo, sábio.

Desconstruído, sensível.

Abusivo, frio.

Todos adjetivos lhe serviam.

Extremamente social e solitário.

Capaz de amar loucamente, imediatamente.

Incapaz de esquecer o amor.

Romântico.

Tatuado de sentimentos, tem pele infinita.

Marcado de cicatrizes, externas e internas.

Tem em seu corpo a expressão de sua história.

Sua maior peculiaridade provavelmente é ser um paradoxo em si mesmo.

Preguiçoso, ama esportes.

Espiritualizado, é cético.

Sente saudade e se isola.

Ama contato, mas quer espaço.

Acha a hipocrisia característica humana e inevitável, condenável em apenas uma situação: naqueles que a apontam.

Vive constantemente entre dois mundos.

Duas raízes.

Africa e Europa

Duas cidades.

Interior e capital.

Frequentemente dividido entre dois amores.

Era assim complexo, peculiar, idiossincrático.

Mas acima de tudo:

Livre

quinta-feira, 23 de julho de 2020

Preta Rosa



Rosa preta de espinho afiado
machuca a quem te toca
Não importa a intenção
Seu toque aveludado
Distrai do que importa
E confunde a emoção

Rosa pequena
De beleza rara e delicada
Dedicada a Iludir e enganar
Sua fragrância envenena
Invade a mente e a alma 
E te faz duvidar

E duvidando,
Jardineiro se sente ceifeiro
Admirador se vê violador
E mesmo tentando
O adubo vira poda
E o apreço parece que engoda

Já não se acredita
Que é possível
O cuidado ou atenção
E torna maldita
Até mesmo sofrível
Qualquer relação

E assim
A rosa preta tão bela
Por mais que singela
Não tem atenção
E é preciso cuidado
Ou seu destino é fadado
A completa solidão.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

A engrenagem



Era uma peça numa engrenagem.

E tudo que conhecia do mundo era como ser parte desta engrenagem.

Girava e girava, encaixada em tantas outras peças da mesma engrenagem.

Eventualmente se movia em outras direções, se encaixava com peças diferentes desta mesma engrenagem.

E subia e descia, e girava para um lado e para o outro, encaixava e desencaixava, sempre na mesma engrenagem.

E tinha sempre em espaço ao seu lado para uma outra peça de engrenagem.

Até que um dia surgiu uma peca que se encaixava JUSTAMENTE neste espaço.

E foi bom. 

Juntas essas duas peças da engrenagem moveram-se, movimentaram a engrenagem.

Mas com o tempo e desgaste já não se encaixavam perfeitamente e essas duas peças inseparáveis se desconectaram.

E outras peças surgiram neste mesmo espaço, umas encaixaram melhor que outras, umas se esforçaram para encaixar sem sucesso, mas a engrenagem não parava de girar.

Mas um dia essa peça de engrenagem se soltou e viajou e passou ela a se encaixar ao lado de outras peças em outras engrenagens.

Já não estava em seu mundo conhecido, se esforçou para encaixar, encaixou bem por um tempo, outras vezes nem encaixou.

Mas um dia voltou.

E a peça de engrenagem encontrou toda engrenagem diferente, faltavam peças importantes, mas o lugar a seu lado ainda estava lá.

E conheceu outra peça de engrenagem, de outra engrenagem, de uma engrenagem completamente diferente e quis girar com ela. Tentou trazê-la para sua engrenagem, mas era muito apertado, tentou se mudar para a engrenagem dela, mas era uma peça muito grande e em nenhuma das engrenagens estas peças puderam funcionar juntas, lado a lado.

Ambas acabaram perdendo uns dentes nas tentativas e já não podiam funcionar juntas.

Pensaram em buscar um outro maquinário em que pudessem ambas se encaixar, mas já haviam desdentado uma a outra e não importava onde, já não se encaixavam, não conseguiram girar.

Assim, um tanto desdentadas, cada peça voltou para o seu maquinário, com seu esforço do lado e mesmo que um tanto desfuncionais, sozinhas voltaram a girar.

terça-feira, 21 de julho de 2020

Efeito Hancock



Tinha lhe quisto, mas não caibo em sua racionalidade passional e não há argumentos que os valha. 

Hão de perecer quaisquer colóquios ante a premissa de que são mais valiosas as carícias de dedos que vivem nos arredores de seu universo particular às palavras, imagens e sentimentos transatlânticos.

Não lhe importa a cátedra, ama a palavra, a poesia e a prosa, mas as músicas que canta sua boca e a mímica de seu corpo eloquente são dissonantes das palavras que falam seus lábios e calam em mim mais sombrio sentimento.

Mente, obviamente, ridiculamente.  Pois é legível em seu corpo, está claro na poesia de cada estria que ansiava por mais intenso desfecho, almejava ter-me tal qual a felina alma que lhe habita.

O sentimento padeceu ao medo do tempo. Pois é tempo ser que desdentado e velho ainda rói o mais rijo dos metais. 

Não há vislumbre se felicidade a vivência de tal sentimento frente às intempéries de tão longo ciclo abstêmio, celibatário.

Criança de alma jovem não aprendeu que meses são grãos na ampulheta de uma vida e que são fragmentos de grão na ampulheta da eternidade.

Eterno... Eterno é o sentimento que tatua a alma, marca o corpo de arrepio, calafrio. Sentimento que machuca o lábio, as costas e que jamais cicatrizará no espírito.

Havia lhe quisto, lhe necessitado e hei de viver querendo, faltando eternamente este pedaço de mim que só encontraria em você. 

Continuarei desejando beber de sua boca de gosto neutro e sentir sua pele macia, quente, de toque molhado e sabor salgado.

Pois, garota pequena de sorriso de princesa e idiossincrasias mil, a verdade é que te quero.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

CONTOS DE UM GUARDIÃO - O FIM

Este conto retrata o ultimo capítulo desta história, não que isso signifique que os contos acabaram, mas apenas que, sob uma perspectiva cronológica, a história do guardião se encerra aqui.

Vejamos:

Nevava, era o período de se resguardar, de se recolher, era a época de estar com a família e tratar de todos para que até os mais fracos tivessem alguma chance de superar o tempo frio. Era sabido por todos que os menores passariam por apuros, assim como aqueles que convalesciam de feridas das batalhas, pena, não tiveram a sorte de morrer em batalha com espada em punho, esquecidos pelas Valquírias ou apegados demais à vida para parar de lutar por ela.

Mas este inverno era diferente, estavam todos tensos, sabiam que, mais cedo ou mais tarde teriam suas terras invadidas, havia inimigos vindos de terras sempre geladas, estes guerreiros não precisavam voltar para casa neste período, pois seu lar seria ainda mais hostil que este ambiente estranho, estavam em seu ambiente natural quando cercados de gelo, alguns entre eles, possivelmente os mais bravos, se vestiam de branco como a neve, com a pele de ursos brancos a cobrir seus corpos.

O guardião já os conhecia, havia lutado lado a lado com alguns como eles, bem como havia cruzado espadas com outros tantos, sabia que a neve não os impediria, sequer atrasaria. Mas as vezes eles mudavam de rumo, encontravam um lugar para passar um tempo, buscavam apenas terras melhores que as suas, ninguém ficaria parado vindo de onde vieram, terra infértil e fria, mais parecia que os deuses haviam abandonado aquele lugar.

Numa manhã, os ventos anunciaram a sua chegada, era hora de batalhar, não estavam prontos, não podiam estar, ainda se recuperavam da ultima batalha e não foram avisados a tempo de preparar uma reação adequada, ou mesmo uma fuga eficaz.
 


Faltava-lhes um líder, o ultimo acabara de morrer das feridas da batalha que enfraqueceu toda a tribo, deixou apenas a irmã com sabedoria e conhecimento o suficiente para liderar, mas mesmo esta se encontrava completamente desestruturada pela morte de seu amor e a perda de seu filho.

Mas o calor da batalha deu-lhe uma razão para continuar, era preciso, apatia agora representaria a morte de seu povo, o fim do sonho da velha, responsável pela ascensão do seu sangue e expansão por todo o mundo, e assim, ela teve que continuar. Ordenou que fosse posto em prática aquilo que todos sabiam ser o certo, ela seria responsável pela retirada dos pequenos, estes garantiriam a continuidade da linhagem, os mais fortes dariam o tempo necessário para a fuga.

O guardião também sofria pela perda do chefe e primo, aquele que tanto o ensinou. Seu irmão de armas agonizou até o fim, os ferimentos de batalha o levaram, mas lutou contra isso, não desejava o Valhalla, não agora, jamais fora apegado a vida, nenhum guerreiro desta tribo era, todos lutavam bravamente na esperança de continuar lutando eternamente junto aos deuses, mas o líder precisava continuar,  sabia da batalha que viria e sabia da importância da sua ferocidade na batalha para dar força e inspiração, era sempre “o tiro certeiro”.

A pequena, filha do seu amor, agora era uma adulta e ajudava a anciã, praticamente liderava a tribo, enchendo o guardião de orgulho, eventualmente sentia ciúmes da relação do guardião com sua nova esposa, aquela moça quase de sua idade, mas relacionava-se bem com todos, o guardião esperava que ela levasse os pequenos junto com a “chefe”.
 

Estavam todos lá, ou quase, todos os sobreviventes do ultimo combate, ansiosos com o anúncio da tempestade que viria, todos conheciam o plano, era a alternativa final, os mais fortes seriam rochas a impedir o avanço do mar, ainda eram muito fortes, especialmente em casa, tinham a melhor razão de todas para lutar, a sobrevivência da tribo, e assim, independente da fúria, os invasores deveriam recuar, como as ondas voltam para o mar.

O guardião sabia sua função, não estava na linha de frente, sequer na segunda defesa, estava aguardando, junto com os seus irmãos seriam a ultima defesa, seguiria com disciplina a ordem de seu líder, de seu primo, este lhe confiara a linha dos guardiões e ele não falharia.

Foram pegos de surpresa, os ventos não avisaram a tempo, mas ainda assim resistiram, jamais havia lutado com tamanha fúria, sabia se tratar da sua ultima batalha, mas precisava dar tempo para a fuga dos pequenos e das mulheres, era necessário tempo para que fosse garantida a sobrevivência do seu povo.

O guardião sentiu picadas de abelhas e ouviu o zunido de vespas, mas isto não o fez parar, sequer reduziu seu ritmo, derrubou guerreiros, um após outro, reconhecendo alguns de outras batalhas, quase todos, guerreiros valorosos, que também lutavam pela sobrevivência.

Lembrou-se que seu amor viria buscar-lhe pessoalmente, sua Valquíria, novamente se uniriam no fim da batalha, o orgulho tomou conta de seu peito e sabendo que ela estaria ali observando, lutou para ela.

Felicitou-se ao saber que a sua pequena estaria em segurança, o que também agradaria a Valquiria, sua mãe. Teria sua linhagem garantida e seu sacrifício compensaria a falta que fez nos primeiros anos desta pequena.

Sentiu-se desolado, era noite. Não notou o momento em que escureceu, mas agora se sentia sozinho, mal se ouvia o barulho da batalha, eram poucos os seus irmãos a lutar, mas não menos ferozes, notou que as picadas de insetos eram na verdade flechas, muitas delas, não lembrava-se de ter visto alguém lutando com tantas no próprio corpo, pensou em descansar, sentia frio e sono, mas sabia que a cada minuto combatendo, aumentavam as chances de sucesso na fuga de sua pequena, que sempre detestou ser chamada assim.

Recobrou forças e correu. Avistara os arqueiros e sabia que de perto os massacraria, mesmo estes já pareciam cansados, questionavam a sabedoria daquela invasão ao ver o preço a ser pago, não tinha forças para sutilezas, já não podia ser tão preciso, por isso desculpou-se aos deuses por não respeitar os corpos dos inimigos o os degolou, com selvageria jamais experimentada. Aqueles que se assustaram com a cena fugiram, mas um, congelado pelo temor, revelou-se pouco atrás daquela primeira linha de arcos, visto pelo guardião imediatamente após a queda do corpo sem vida de um dos seus inimigos.


Mal acreditava na quantidade de arqueiros, detestava-os, eram incômodos e desequilibravam a batalha, queria vê-los sofrer, dirigiu-se àquele que o encarava tremendo, sentia o medo dele, o via tremer, mas o medo não impediu que o arqueiro abrisse a mão direita, libertando a flecha em seu arco já retesado, talvez tivesse largado a flecha sem querer, justamente por medo do gigante cravado de flechas que se movia em sua direção.

O guardião urrava enquanto se movia, uma espada em cada mão, “garra de coruja” e “beijo de aranha”, sentiu mais uma picada e num ultimo esforço arremessou sua espada, a “garra da coruja” voou e alcançou seu alvo com força e precisão mortais, cravando-se no peito do jovem arqueiro e o arremessando no chão.


Enfim descansaria, segurou o “beijo da aranha” com força nas duas mãos e se deixou cair, esperaria pela sua Valquiria armado, estava pronto para o Valhalla e para o Ragnarok, mas pouco antes de ser levado avistou sua Valquiria, não colhendo as almas, mas batalhando, com a mesma selvageria do guardião, reconhecia aqueles movimentos, eram os seus próprios movimentos em um corpo feminino e, em um lampejo, reconheceu sua filha.

Não podia ser, ela lhe prometera seguir com os pequenos para garantir a segurança de todos, ficou angustiado e em dúvida, morreu sem saber ao certo, em seus olhos não haviam mais a paz de quem segue para o Valhalla, mas sim o desespero de quem não sabe ao certo o destino de sua cria.


Mas esta história não nos cabe contar....

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

CONTOS DE UM GUARDIÃO - O DIA DA PRESA


Chovia, agora a sorte estava ao seu lado, fora perseguido por dias sem descanso, dormindo na copa de arvores e cavernas, correndo o quanto podia, mas agora, com a chuva, ele se sentia confortável.

A água que escorria em seus ombros limpava suas feridas, o frio regulava sua respiração, e seus ouvidos acostumados continuavam a ouvir seus inimigos, apesar da torrente, a roupa encharcada fora deixada de lado, era necessário ser leve e rápido, bastariam as gêmeas.


A escuridão encobria seu corpo, a chuva forte revirava seu rastro e a tempestade e trovões o tornavam silencioso.

Agora ele deixava de ser caça e virava caçador, sentindo cada gota em seus ombros ele respirava ofegante enquanto esperava suas presas que ainda acreditavam estar caçando, sem saber o quanto estavam enganados.

Alguns dias de busca tinham lhes retirado a vontade de lutar, a sede de sangue. A privação os havia debilitado, e a raiva, que os colocou naquela busca, já não ardia da mesma forma.

Mas não para ele, o seu fogo nascia da água e agora ele fervia, a privação e o cansaço foram lavados de sua memória e a única coisa que ele sentia era o desejo de fazer suas lâminas experimentar a carne e o sangue daqueles que o fizeram abandonar seu ultimo pouso.

Agora faltava pouco, ele podia sentir sua chegada, a cada lampejo Thor lhe mostrava seus inimigos, a cada trovoada ele se posicionava melhor, usando o som do ribombar de Mjölnir como disfarce para seus passos.

Agora eram apenas 3, outros haviam desistido, talvez lhes faltasse coragem para seguir numa tempestade como esta, ou sobrasse astúcia para saber que não era seguro. Muitos conheciam a história, o colosso sempre estava em casa quando chovia, tribos inteiras sabiam que a sua chegada num dia de chuva podia ser sinal de uma catástrofe, ou de uma benção.
Ele conhecia aquele tipo de chuva e ela não iria passar, não pelos próximos 2 ou 3 dias, ainda haveria tempo de voltar e alcançar alguns daqueles que se sentiam seguros com a volta para casa.


Mas agora a prioridade era outra, haviam 3 inimigos que deveriam ser eliminados imediatamente, perder tempo planejando a próxima caçada tiraria seu foco e atrapalharia.
Respirou fundo, eles faziam exatamente o esperado, aproximavam-se devagar, buscavam pegadas que não existiam, tentavam enxergar, mas num flash não sabiam para onde olhar.
Ele chegou devagar, por trás, a formação deles era ruim, estavam em um triangulo mal formado, apenas um na retaguarda, e este morreu sem sequer saber que estava sendo caçado.

Os outros dois se assustaram, mas tiveram tempo de reagir, era o que ele queria, se desejava o Valhalla, não seria simplesmente emboscando seus inimigos que o alcançaria.
Era injusto, ele sabia, apenas 2 contra ele, suas espadas gêmeas e a chuva, Thor estava do seu lado, seria um massacre.

Seus inimigos viram um gigante nu, portando um par de espadas de laminas curvas, aparentemente pequenas demais para alguém daquele tamanho, mas que, quando usadas juntas sua velocidade compensava seu tamanho e explicava sua fama.

Ele se divertiu, os massacrou enquanto sorria, lembrou-se da sua família, de quantas vezes seu primo lhe mostrou como matar, os respeitou, obviamente, como aprendera, seus corpos estavam retalhados, mas suas cabeças inteiras, estes guerreiros encontrariam o caminho, seriam levados para o seu paraíso e em breve os encontraria novamente e, quem sabe, lutariam todos juntos no ragnarok.

Os matou de perto, como quase sempre fazia, seus lábios quase tocando a pele do inimigo inerte, olhos nos olhos, mas apenas os seus com vida.

Ele estava ferido, muito pouco, suas laminas estavam limpas por causa da chuva, ele mal ofegava com o esforço recente e, após um minuto para saquear o que lhes havia de valor, voltou-se para o caminho já percorrido e voltou a trilhá-lo.

A caçada precisava continuar, ele descansaria após acabar com a ameaça aos seus, aqueles que o caçaram não deveriam chegar ao seu destino, se isso ocorresse mais entes queridos morreriam.

Mas esta caçada será contada em outro momento...

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Aventuras do Homem Invisível

E então ele chega sem ser visto, apresentado por um louco qualquer cheio de dreads e barba, fala alguma coisa sem sentido e de repente estão dançando a música certa, que fala de como ele se manteve invisível por meses, que fala do momento em que ele surge...

e a partir de então uma magia cessa e outra se inicia, a invisibilidade acabou e surgiu então um novo encanto, o de ser visto!

"eu vejo você!"


segunda-feira, 29 de julho de 2013

CONTOS DE UM GUARDIÃO - DE VOLTA PARA CASA

Afastou-se por anos daquele lugar que prometeu defender, sabia que estariam bem enquanto estivesse fora, mas era hora de voltar.

Havia deixado seu único bem de valor, além de suas armas, aos cuidados de alguém especial e era hora de voltar, descobrir o que havia a ser compartilhado.

Era inverno e seu mundo era uma imensidão branca, lembrou-se de quantas vezes passara por isso na companhia de sua pequena e de como teve que esforçar-se para mantê-la viva, apesar desta jamais reclamar de nada, sempre forte, a sua pequena puxara à mãe, forte e guerreira, tinha a capacidade de adaptar-se do pai e aprendera tudo sobre viver peregrinando no tempo que passaram juntos.

Devaneou por um tempo, até sentir a temperatura mudar, sabia que estava próximo. Apertou o passo, pretendia dormir sentindo calor humano, sabia que seria assim. Ao chegar deparo-me com tudo aquilo que me fez voltar, alguma movimentação apesar do frio, pessoas rindo e em torno de uma fogueira uma morena linda, cabelos longos, pouco cacheados e um tanto desgrenhados, a pele queimada do sol lhe dava uma beleza de quem gozou a liberdade total e seu sorriso confirmava isto, não havia peso, não havia dor.

Questionou-se se aquela mulher, ainda jovem, já teria passado por seu primeiro grande casamento, talvez este fosse o ano do seu primeiro, não faltava tanto tempo para Beltane, sabia ele.

Ao cruzar seu olhar com o meu ela sorri e sinto-me paralisado, aquele sorriso, seria aquela que me escolheu em campo de batalha? Aquele jeito de sorrir era único até então. Em seguida ela se precipita em minha direção, ao correr o balançar dos seus cabelos me lembra ainda mais daquela por quem eu morreria em batalha mil vezes. Mas sei que apenas me encontrarei com ela no Valhalla, sei que será ela e vir me buscar, então como poderia?

De repente ela me chama e eu caio em mim, aquela forma de me chamar só saiu de uma boca antes, esta mulher formada e linda, é um pedaço daquela que amei, minha carne, meu sangue, esta mulher é alguém que já não posso mais chamar de pequena e que em pouco tempo não poderia mais chamar de minha.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Saudade do Meu Amor



Metalinguística do sentimento, sinto saudade do meu amor, como quem sente falta de si mesmo, amar é a melhor forma de se relacionar, corpos e mentes ligados, através da relação entre amantes estamos sempre em dois lugares ao mesmo tempo e com nossas almas dividindo espaço em dois corpos. Eterno romântico, sou o pior tipo de cafajeste, daqueles que se apaixona a cada respiração, a cada toque, a cada mensagem, volátil e volúvel posso explodir ou simplesmente redirecionar e não cabe ao outro decidir o que vai acontecer, nem mesmo a mim, pois explodi quando quis virar e virei quando quis explodir mais vezes do que me cabe assumir.


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Redescobrindo



É engraçado como as vezes não conhecemos as pessoas com quem convivemos, tendemos a acreditar naquilo que mais nos convém e com isso acabamos nos machucando.

Hoje eu confirmei que expectativa serve basicamente para gerar frustração simplesmente porque descobri que alguém mentiu, para mim e para outrem, a mesma mentira, no mesmo período, provavelmente com as mesmas razões.

A diferença é que eu nunca me importei, o resultado da mentira não foi diferente do que seria alcançado com a verdade e por isso incomodou menos, serviu apenas para abrir meus olhos e mostrar que as coisas não eram assim tão bonitas quanto no retrato.

No fim, pouco muda, mas tudo muda. E por isso vou redescobrindo quem me cerca.

Voltando a Ter Pesadelos


Eu estava bem, você longe, ânimos mais acalmados, conseguindo até ter algum tipo de pensamento positivo em relação a você, mas aí, sem nenhuma razão aparente você retorna a minha vida, invade meu mundo, sem nenhum convite, simplesmente para me questionar o que eu já não quero mais pensar e me falar sobre erros que eu não sei se cometi e nem me interesso em saber. 

Surge com verdades, que eu nem sei quando você a tê-las, afirmando que eu sei do que se está falando. Tão estranhamente feminina esta postura, mas ao mesmo tempo tão infante. Não posso saber aquilo que não me foi dito, nem cabe a mim tentar deduzir, poderia cair no erro de assumir erros que sequer cometi numa tentativa de adivinhar de que erro se trata aquele específico.

Mas também não perguntei, porque não cabe mais concertar erros, tentar colar um cristal vai ser sempre impossível, até porque toda critica que sair da sua boca parecerá despeito, lamentos e lamurias de alguém que precisava e parece que continua precisando culpar o outro para ficar bem consigo.

Para mim não há culpados, sei o que me afasta, e a culpa disso é toda sua, não sei o que TE afasta, mas deve ser culpa minha, então dentro desta culpa recíproca é melhor manter como estamos, com contatos eventuais e sem sentimento, porque prefiro sentir nada a voltar a sentir o que vinha sentindo, lembrar de determinados detalhes é sempre tão ruim que prefiro substituir estas lembranças por um vazio, mesmo que aos poucos o que ficou de bom, acabe sendo guardado no mesmo baú, e ainda mais fundo. Isto é apenas resultado do que foi plantado, ninguém colhe nada diverso do que planta, não? 

Como disse no começo, com o tempo acabo conseguindo abstrair, fingindo que nada disso jamais aconteceu, que foi apenas um sonho ruim e alguns pensamentos positivos vão tomando forma. Mas jamais haverá nenhuma necessidade de preocupação do que eu faço com o que penso, pois jamais compartilharei tudo, não sei abandonar completamente a minha fantasia de herói que resguarda a imagem alheia, falando e fazendo apenas comentários elogiosos. 

Enfim, espero que durma bem, porque hoje eu já não consigo mais...

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Acalmando os Ânimos



Depois de dividir espaço com você, até de tomar seu lugar, tornamo-nos inimigos, não por opção minha, mas a minha existência lhe incomodava demais e sua reação nada mais era do que natural para alguém como você, tão diferente de mim. Mas hoje somos educados e corteses, tratamo-nos com algum carinho, daqueles que sofreram pelas mesmas razões. Enfim, é um prazer te conhecer... 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pensei em você



Pensei em te ligar, te encontrar, conversar, quem sabe até te beijar, penetrar!

Lembrei de seu gosto, seu corpo, da forma como você aprendeu a mexer, mexer comigo, mexer com minha libido e minha mente.

Lembrei de como você gostava de mim em você de como seu corpo tremia ao sentir o meu, de como o toque de minha língua lhe fazia vibrar, tal qual uma corda de violino vibra ser roçada suavemente.

Lembro-me agora de como lhe dei prazeres, minha boca, minhas mãos, minhas pernas, minha voz até, com tudo isso você vibrava e ia ao êxtase. 

Depois de pensar em todos os prazeres pensei em te ligar, te fazer qualquer menção de que senti sua falta, mesmo que momentaneamente, mesmo que meu corpo tenha sentido mais que minha alma, ou quem sabe seja o que meu cérebro tenta me convencer, mas senti e foi intenso.

Mas em seguida lembrei de tudo que me fez me afastar, de tudo que me fez parar e simplesmente esperei a vontade passar.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Abismo


Deixei meu coração fora de meu peito, guardei-o! Deixei sob os cuidados de outrem e já não o sinto bater...
O abismo que me separa do meu coração faz meu peito doer de saudade. Do bater pulsante e forte, do sangue quente que jorrava em minhas veias. Hoje só sinto esta coisa fria, que não me permite sentir os prazeres da vida com a mesma intensidade de outrora.
E neste mundo em preto e branco eu sei onde guardei minhas cores...

sábado, 22 de dezembro de 2012

Saudade de Você



As vezes sinto falta de seu carinho, as vezes sinto falta de seu corpo, mas o que me mata é não esquecer o seu olhar...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Meu Vício



Sou seu vício, sua cachaça, embriago-te com meu ser, transformo-te em outra pessoa. Irreconhecível para si mesma, atende meu chamado como quem busca saciar sua abstinência, bebe de minha boca, cheira meu aroma, come a minha carne e deleita-se sobre meu sexo.
Suga minha virilidade como a abelha e o mel, arrepia-se apenas por lembrar, fica ouriçada pensando em meus dentes em seus lábios, minha mão em suas carnes e minha língua áspera a roçar-lhe.
Deita-se comigo em sua mente, toca-se, geme baixinho com medo de ser ouvida, banhos longos, frequentes e quentes. Como a a heroína que faz coçar, faço-lhe tocar, vontade de gritar constante, impacientemente aguardando-me.
Fica irritadiça, a distância lhe frustra, se eu sumo me cobra, se eu apareço reclama que só pioro sua condição clínica, precisa de mim, em carne, osso e fogo! Não de meu afago, não de meu abraço, mas de meu corpo inteiro, dentro de si.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SÓ O FIM

A um tempo atrás escrevi uma postagem com o mesmo nome, pensava ter encerrado uma fase em minha vida, doce ilusão, agora sinto que encerrei-a, nova mentira, bem sei, sei que é apenas mais um passo dado a algum lugar desconhecido, mas muito dolorido.

Nunca entendi a necessidade das pessoas diminuírem aquelas que fizeram parte de seu passado, reduzindo sua importância e aumentando a própria, parece-me uma questão de ego ferido, de necessidade de reafirmar-se através da critica a algo que pode ter sido bom, que pode ter sido belo.

Não digo que foi meu caso, quem sou eu para julgar a mim mesmo, sou apenas uma parte do processo, sem provas, sem testemunhas, apenas com minha declaração  de inocência. Nunca fiz questão de provar, me orgulhava disso, imaginava que a certeza intima era suficiente, assim como nunca tive nenhuma preocupação com as testemunhas, cometi o crime de ser uma pessoa adaptável, sendo vários eus, um para cada situação e fazendo as pessoas acharem que cada um desses eus era o meu verdadeiro EU, me julgando erroneamente, mas eu não tinha com o que me preocupar se quem me importava conhecia o EU que eu fazia questão de ser ao seu lado, e um EU que buscava melhorar em todos os eus de que o meu EU era composto.

Hoje sou forçado a ouvir o relato de testemunhos que eu não esperava, sou lembrado das provas que não dei, começo até mesmo questionar a mim mesmo, será que eu me iludi, vivi num mundinho tão meu, egoísta e egocêntrico, que tudo que vivi bastou apenas para mim? 

Não importa, a cada minuto eu tento me convencer disso, sou julgado desta forma por tentar evitar que fossem julgados em meu lugar, na vontade de proteger, me desprotegi, na esperança de ser forte o suficiente para suportar o fardo sozinho, errei de novo. Não fui capaz de proteger e não permitindo que se protegessem acabei me desprotegendo, perdemos todos. Saímos todos machucados.

Mas volto a questão inicial, o que faz as pessoas ignorarem tudo de bom q viveram? O que faz as memórias ruins sobressaírem? A quantidade? A intensidade? Ou simplesmente a incapacidade da pessoa de seguir seu caminho com boas memórias, a incapacidade de dar continuidade sem conseguir cortar este vínculo trazido por este sentimento saudosista? Sinceramente eu não faço ideia, é diferente para mim.

Hoje me lembro do carinho, jamais me esqueci ou me esquecerei, me lembro do cuidado, do remédio de gosto ruim numa manhã de indisposição, de usar esponja vegetal até na sola do pé, de comer sushi na cama com musica zen, velas e vinho, de lembrar de cada da importante, da primeira a ultima, e comemora-las a cada ano, de comprar coisas legais sem razão alguma, simplesmente pelo prazer de ver o sorriso do outro, de guardar aquele lanche favorito em casa até que não dê mais para guardar, ou simplesmente até que o cachorro ataque, de comprar o doce favorito no baleiro do busão, pois será inesperado chegar do trabalho com aquilo no bolso, de manter-se com a roupa do trabalho, odiada, por mais tempo só porque o outro acha que você fica bonito, de jurar que jamais compraria flores só para surpreender com o buquê que alguém ensinou que seria o mais bonito, me lembro de repreender xiliques em supermercados e de aprender a fazê-los e notar que as vezes é útil, principalmente na fila do restaurante, me lembrarei sempre das primeiras vezes, de ambos, cada uma das primeiras vezes, o primeiro sorvete, a primeira rosa, ainda que de papel, o primeiro beijo, que deveria ser cheiro, de aprender uma forma nova de comer chocolate, de ensinar a comer peixe cru, são tantas coisas que a lista dificilmente poderia ser lida, mas lembrarei também de muita coisa ruim, não porque me machucam, mas porque me ensinaram, lembro com verdadeiro prazer de algumas brigas, porque frutificaram, porque resultaram em melhora, lembro de ensinar que pedir desculpas muitas vezes não é sinal de que se erra muito, é sinal de que se assume o erro muitas vezes e de que se está disposto a mudar, aprendi a pensar mais desta forma também, aprendi a pedir desculpas... 

No fim, o meu passado será sempre referência para meu futuro, experiência e também uma porta, aberta ou fechada, isso não importa, portas se abrem e se fecham, esta é sua função, não são portas fechadas que impedem minha passagem, para cada uma existe uma chave que será encontrada no tempo certo. Meu passado foi feliz, até porque felicidade não é uma questão de ser e sim de estar e como eu estive feliz por mais tempo do que estive triste, por muito tempo eu fui feliz! E continuarei sendo, pois o mundo gira e a vida segue e afinal, é só o fim!


quarta-feira, 11 de julho de 2012

CONTOS DE UM GUARDIÃO – MINHA PEQUENA


Sempre fora livre, sempre viajando, se ferindo, se arriscando, amando, sofrendo, matando, mas um dia foi surpreendido, voltou para os braços de um dos seus maiores amores e não a encontrou, encontrou apenas sua herança, não a conhecia, aquela coisa pequena e suja, ranhenta e magrela, seus braços mais pareciam dedos, de tão finos, perguntou-se como aquilo teria vingado, perguntou-a sobre a sua mãe e soube que morrera, preferiu não perguntar de que, sentiu vontade de chorar, amara aquela mulher, mas seu contato fora breve, mas não podia se permitir demonstrar tamanha fraqueza para aquela pequena.

Tinha visto força nela, o que o assustou. Por debaixo daqueles cachos negros estavam um olhar penetrante, forte, de quem sabe o que quer e que foi bem ensinada, apesar da pouca idade. Ficou encantado, seu espirito era guerreiro, disputava o que queria com fervor e quando perdia não mostrava lagrimas e sim os dentes, com ferocidade.

Pousou por alguns dias naquele lugar, alimentou-se com a comida daquelas pessoas que criavam a filha daquela que cativou eternamente seu coração, deitou-se com algumas mulheres que ali viviam, mas não encontrou em nenhum braço aquela energia, ficou triste, ajudou no que pôde, como forma de pagar sua estada, se afeiçoou aquela menina, tão pequena e já dominava as ervas, sabia usar um athame como um garoto brinca com sua espada, era mirrada, mas seria forte, uma mulher de fibra, um dia, quando crescesse, se crescesse.

Ela o fazia lembrar demais a mãe da criança, tanto que doía, seus cabelos negros e pele alva eram iguais ao que um dia ele acariciou, olhar para aquela menina incomodava e trazia belas lembranças, apesar do espirito desta criança ser completamente diferente, muito mais arredia e teimosa, não conseguia imaginar como a sua mãe conseguiu ensinar tanto a alguém tão turrona.

Um dia a estadia chegou ao fim, as feridas cicatrizaram, o tempo melhorou, apesar do prazer da companhia era chegada a hora de partir, ao anunciar sua partida recebeu uma notícia que mexeu com sua cabeça, a avó da criança lhe chamou e contou-lhe que aquela criança era fruto da sua união com sua filha, que aquela coisa pálida e mirrada era fruto da sua carne, do seu sangue e do seu amor por aquela morena esguia, ficou tonto, mas entendeu a empatia que sentiu por aquela menina morena, como sua mãe, como seu amor.

Avisou-lhe também que não haveria quem cuidasse da sua criança por muito tempo, pois já era idosa e não haveria outras pessoas e quem confiar sua seurança, deixando clara, assim, sua intenção, ele aceitou o fardo, sabia o que fazer, levaria para um lugar onde ela seria ensinada a ser uma mulher e uma guerreira, como seu espirito gritava que queria, ao afirmar que levaria a criança, surgiu dum canto qualquer, num pulo, aquela coisa branca voando em sua direção, abraçando-o, chorando, dizendo que sua mãe já havia lhe falado sobre ele e que o reconheceu assim que o viu.

Contudo uma coisa o preocupava, não seria uma viagem curta, não seria uma viagem tranquila, muito menos segura, para chegar onde queria, teriam que ser como a sombra, mas alguém tão grande como ele e uma criança estabanada como ela, dificilmente passariam despercebidos.

Meses se passaram até alcançarem o objetivo, neste período se tornaram ainda mais unidos, ensinou-lhe a manusear o athame, a se defender em caso de necessidade, e o conhecimento dela sobre ervas acabou o salvando um dia, quando um corte de espada foi mais fundo do que era possível suportar, foi ela quem tratou sua ferida e sua febre. Fazendo-o lembrar e sentir falta, mais uma vez, do calor da pele de sua mãe.

Quando não estava concentrada em suas praticas ou buscando ervas para alimentar-se, ela ria, e como ria, um sorriso grande, com dentes alvos e som engraçado, era bom se apaixonar por aquela criança, sentir o amor que as pessoas sempre falavam, morreria por ela, mesmo a morte certa, seria enfrentada para que aquela criança pudesse sorrir muitas vezes mais.

Um dia esta promessa seria cobrada.