quarta-feira, 4 de julho de 2012

CONTOS DE UM GUARDIÃO – A QUEDA DO COLOSSO


Ambos acreditavam serem invencíveis, inúmeras batalhas vencidas, muitas lado a lado, irmãos de armas sabiam suas forças e acreditavam que não havia fraquezas.

O machado de guerra era considerado invencível, seu portador só poderia ser derrubado por flechas, mas não este, imenso, assustadoramente forte, não seria apenas uma flecha que o derrubaria, ele ainda dividiria muitos oponentes em dois antes de tombar.


De outro lado havia as duas espadas, a habilidade requerida para o manuseio de duas armas, menores que as comuns, era imensa. A quantidade de cicatrizes demonstrava o quanto era arriscado chegar tão perto do inimigo, mas lhe dava experiência, sabia que viver ou morrer estava determinado por sua habilidade, por sua sagacidade e tenacidade, não pelo comprimento de sua arma. Também era imenso, com barba e cabelos fartos, escondendo algumas cicatrizes no seu rosto, suportaria muitos ferimentos antes de cair, mas sabia, ninguém era capaz de suportar a uma machadada, ser acertado por um machado tinha apenas dois resultados, ser dividido em duas partes e morrer imediatamente ou dar o azar de que a lâmina apenas passe em seu ventre, lhe esviscerando e morrendo lentamente, agonizando.


Estes dois colossos estavam em lados opostos agora, suas mulheres estavam apreensivas, algumas já choravam, pois sabiam que apenas um dos dois sobreviveria, aquelas que eles compartilharam não sabiam sequer o que esperar, para que rezar, senão para que ambos desistissem deste combate suicida.

A força do machado contra a velocidade das espadas, o machado parecia lento, mas isto era compensado por seu alcance, as espadas rápidas, mas precisavam alcançar o oponente, ambos hesitaram por um instante e no momento seguinte aquele encontro teve seu desfecho, o machado girou, as espadas estocaram, o sangue jorrou e alimentou o solo, a lâmina ensanguentada do vencedor pingava, bem como lágrimas dos olhos deste. A dor estampada nos olhos do derrotado fazia sofrer a todos e assim descobriram que mesmos colossos caem.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

CONTOS DE UM GUARDIÃO – MEU PORTO SEGURO


 E nela encontrou seu porto seguro, sua guia, sua amiga, entendia sua necessidade de viajar, de mudar, de ser ele mesmo, mas também tinha sua vida, sua casa era o paraíso, rodeado dos presentes dos deuses, aqueles que ela jamais teve, mas ao mesmo tempo teve tantos.

Brincavam todos, riam todos e bebiam os dois, ali ele se desarmou e foi feliz por um tempo, todo o tempo que ali esteve, até a felicidade lhe chamar em outro lugar.

Algumas vezes ensinou os segredos de ser um guerreiro a um garoto à porta de sua morada, em outras vezes foi escolhido para transformar uma menina em mulher, e era bom em ambas as coisas, tinha aprendido a ensinar com o melhor professor, se orgulhava disso.

Ela ria de tudo isso, não sentia ciúmes, era o que mais lhe atraia nela, sua segurança, sua certeza de que ele era seu, mesmo quando se deitava com outras, e ela estava certa, não tinha apenas uma dona, mas nenhuma tinha tanta segurança da sua posse. E ela era dele também, não só dele, mas ele era especial, quantas vezes ela saiu dos braços de outro para lhe receber? Inúmeras! Sempre se divertiam com isso, algumas vezes isso lhe trouxe problemas, nada que as espadas não fossem capazes de resolver, mas não sem o custo de sangue.

Nunca se importou com as outras, nem com as que, com prazer, ela o conduziu para exercer seu papel de Deus, nem com as que ele encontrou no seu caminho solitário, ao contrário, se divertia ao lhe ver sofrer de amores ou contar-lhe suas aventuras amorosas e sexuais, não recordava de ter compartilhado tanto com alguém, talvez por compartilhar tão pouco.

Ao seu lado era feliz. Mesmo quando não estava ali por prazer, quando as feridas abertas pediam sua mão agradável e cuidadosa, nenhuma das suas mulheres era tão próxima, tão amiga e tão mulher. A liberdade que sentia ao seu lado o prendia a ela, saber que podia ir e vir quando quisesse sempre lhe deu prazer em ficar.

Contudo, nunca a entendeu, nunca pode lhe dar o presente que ela sempre desejou, os deuses assim não quiseram, mas apesar disto ela parecia sempre feliz, sendo um exemplo de mestra, mãe, irmã, mulher e amiga. Contudo, alguma frustração aparecia em seus olhos, sempre que suas regras voltavam, mês a mês. Ele pedia aos Deuses para atender-lhe o anseio, permitir que dela viesse aquilo que ela sempre cuidou do alheio, talvez não tenha sido lhe dada esta dádiva, justamente para que sua função, a de cuidar, fosse melhor exercida, sem prediletismos.

Sempre que pode e quis, ela o acompanhou em suas viagens e perigos, não de perto o suficiente para se por em risco, mas nunca longe o suficiente para não ser notada, e lhe socorrer, quando preciso, algumas vezes se esconderam juntos, assustados, corações saltando pela boca, sua companhia o salvou diversas vezes, pois seus ferimentos seriam mortais sem nenhum tratamento.

O seu corpo nu era sempre o melhor remédio, dominava a magia sexual como poucas outras e a usava com maestria, acalmava-o com seu corpo, sugava toda sua energia para depois repô-la, funcionava como um perfeito filtro e o casamento entre seus corpos era aquilo que fazia o processo fluir, de forma gradual e saudável, plena.

Mas o inevitável um dia os alcançou, ele era necessário em outro lugar, abandonada ela cuidou daqueles que ainda não haviam aprendido a se cuidar, enquanto ele foi reforçar as fronteiras da sua raiz, seu primo precisava dele, seu amigo e irmão, e assim ele voltou para aquele lugar que um dia, ele aprendeu a chamar de lar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

CONTOS DE UM GUARDIÃO – MEDO DE SENTIR


Nenhuma dor que senti foi mais intensa, nenhum ferimento mais profundo e jamais o peso da solidão foi tão grande. Neste dia ouvi uma resposta inesperada daquela de quem cuidei com tamanho afinco.


Por um tempo cuidei daquela pequena, de sorriso largo, sempre metida em encrenca, que dormia com cara de sofrimento, que sabia ocupar perfeitamente o espaço de minhas costelas, que muitas vezes arrancou sangue de minhas costas com suas unhas, num movimento intenso e lento, onde a  satisfação era estampada com um sorriso malicioso em seu rosto, de quem sempre fez o que quis e por muito tempo me quis.

Era seu homem e seu protetor, encaixávamos perfeitamente, apesar da estupida diferença de tamanho, aquela pequena sedenta de mim, eu a quis como a nenhuma outra, não que fosse meu maior amor, mas jamais alguém se encaixou tão perfeitamente em mim, quando nos uníamos ela era feroz e ativa, fazia como queria e gostava quando eu a dominava, mostrando que mesmo uma égua arisca podia ser montada, quando ela ria alto ao ter os cabelos agarrados com força, olhar desafiador e matreiro, movimentando-se como uma cobra, mordendo como uma cadela e arranhando-me como uma tigresa. 

Mas encaixava-se também no dia a dia, ria do que falava, concordava, e mesmo quando discordava, encaixamos em nossas discussões, sempre divertindo-nos, conversávamos horas a fio, muitas vezes, suados e cansados, arranhados, machucados, deitávamos nus na relva e conversávamos, ríamos da ferocidade daquele momento, assim que ele acabava, eu ameaçava quebrá-la algum dia e ela me desafiava a fazê-lo, mas além de forte ela gostava de toda minha força e jamais quebraria, não daquela forma.

Mas um dia o perigo passou, estava chegando meu momento de partir, começamos a nos preparar para aquilo, as noites ficaram mais calmas, os dias um tanto lúgubres, a cada vez que nos deitávamos, era como uma despedida, com demonstrações de carinho e afeto não costumeiras, demonstrando através de atos que sentiríamos falta um do outro, não éramos mais como dois animais selvagens, mas sim dois seres dóceis, afáveis. 

No dia em que partiria, ela chorou, esperneou, xingou, amaldiçoou, me arranhou, novamente até sangrar, mas desta vez sem prazer, apenas sofrimento e pela primeira vez em anos eu cedi, como nenhuma outra pequena havia me feito ceder, aquela tinha me vencido, era impossível não ceder àquela coisa miúda chorando com a cabeça em meu peito, a prometi ficar, disse que permaneceria com ela, ao menos por mais um tempo, o que foi um erro.

Fiquei mais tempo ao seu lado, mais do que deveria, quase me estabeleci, insto foi contra minha natureza, espirito livre, apenas me estabeleceria quando encontrasse meu lugar, ou no caso daqueles que me perseguiam um dia me enterrassem em algum lugar, o que eventualmente aconteceria, sofri por um tempo, estar estabelecido era como estar enjaulado, o sofrimento era aplacado pela companhia daquela pequena, mas já não era o suficiente, precisava andar, vagar, em outro lugar alguém precisava de mim e eu precisava partir, então decidi que era tempo e cometi o segundo erro, aquele que me fez sangrar como nunca.

Numa manhã de sol pálido me deitei com ela na grama ainda molhada de orvalho, encoberto por brumas a possuí, como nunca antes, com vontade, força e carinho, mostrei-a tudo aquilo que sentia através de meu corpo, ela entendeu, soube que eu iria embora e chorou, ao fitar meus olhos, já deitada ao meu lado, segundos após o clímax ela chorou, não soluçou ou fez escândalos, apenas aquele choro contido de quem está resignado, então saíram da minha boca as palavras pelas quais me arrependi:

"vem comigo, pequena, vem viver e morrer comigo!"

Neste momento aquela coisa pequena e branca, muito branca, simplesmente cresceu, um olhar intimidador surgiu e ela falou que eu, dentre todos, eu deveria saber que ela jamais deixaria suas funções, seu povo, sua família e eu me tornei pequeno, impotente diante daquela deusa que surgiu em minha frente, desta vez ela sequer retrucou sobre minha partida, sem despedidas saí derrotado sangrando, sabia que a reencontraria, se não nesta vida, em outra, mas jamais retornei e aprendi a ter medo de sentir, pois o sentimento me tirou do meu caminho por tempo demais.

terça-feira, 22 de maio de 2012

CONTOS DE UM GUARDIÃO - ENCONTRO


Ela lhe viu lutar e gostou, da sua ferocidade, do sorriso em seus lábios ao enfrentar a morte, a sua ousadia lhe arrepiou a nuca, sua virilidade e força deixaram-na de pernas tremulas e seu sexo estava pronto, numa enxurrada de  temor e excitação.
  
 Não suportava esperar o momento em que poderia tratar seus ferimentos e cavalgar em seu corpo ainda febril, fitar sua expressão de prazer e dor, pois ainda naquela noite, ele seria seu homem, seu guerreiro, seu Deus, e ela seria sua mulher, sua sacerdotisa e sua Deusa.
...

Entre sangue e suor ela deitou sobre ele, num ultimo suspiro de gozo, sabia que estaria grávida, poderiam ter muitos filhos juntos, mas teriam apenas um, seus caminhos estavam determinados, cruzavam-se, mas não se alinhavam. Aquela criança seria o vinculo eterno, a lembrança do dia em que ele sobreviveu para se entregar a ela, a perfeita réplica de como eles foram um, em mente e corpo, tanto no campo de batalha, onde suas orações o inspiraram e deram força, quanto na cama, quando seu corpo o aqueceu e curou.
...
Levou tempo para que ele estivesse pronto para partir, água pura, ervas, orações e o calor do seu corpo o ajudaram a levantar. Ele lembrava daquela primeira noite, e de todas as outras, em que ela deitou-se com ele e aplacou sua febre com o calor de seu sexo, de como as feridas se abriram com o vigor desta comunhão.

O que apenas ela lembrava eram as noites de alucinações, com choro baixo, com medo da solidão e do escuro que apenas se aplacavam com o cuidado e calor de seu corpo, dos dias em que aparentemente ele morreu, aplicando técnicas que aprendeu em suas jornadas para se manter escondido, ainda que dormindo.

Mas naquele dia ele estava de pé, parecia que a luta jamais tinha ocorrido, exceto pelas feridas que ainda não estavam completamente cicatrizadas, o sorriso largo de quem não sentia mais dor alguma, como se a morte não fosse algo a ser temido, mascara que aprendeu a usar em suas andanças. E naquela noite festejaram, beberam, comeram e dançaram, como dançaram! Novamente eram um, olhares e sorrisos os uniam de tal forma que mesmo aquela dança não coreografada parecia natural, como se fossem os parceiros mais antigos, e talvez o fossem!


No fim da noite se uniram uma vez mais, e foi a primeira que sua condição física lhe permitiu guiar, e ele o fez com vontade, até quase desmaiar, sabendo que aquela provavelmente seria a ultima vez que seus corpos se uniriam, ao menos nesta vida.

Ao acordar ela sequer precisou virar-se para saber que estava só, não sentia mais aquele calor e entendia a natureza de seus caminhos, não houveram despedidas nem um “eu te amo”, não foi necessário, suas almas falaram tudo que havia para se falar e estariam conectadas, marcadas de tal forma que por muitas vidas ainda iriam se encontrar e desencontrar, numa busca incessante por aquele pedaço que eternamente lhe faltaria.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Nenhum Homem Entende


Toda  mulher gosta de tudo isto, verdade, e o que elas gostam não é o que nos confunde a cabeça, mas sim o que elas não gostam e o que elas esperam.
Mulheres tem a estranha mania de não falar, de achar que adivinharemos que elas querem um dengo naquele momento, ou uma ligação a mais, não importa se você tem ligado constantemente, dado toda a atenção que pode, na hora que ela quer alguma coisa, devemos querer da mesma forma.
Já prestaram atenção em quantas brigas de casal tem no seu contexto uma frase como: "você não tá vendo que eu quero isso?" ou pior, a resposta que elas dão quando perguntamos se elas querem q façamos algo: "não quero que você faça porque eu quero, quero que você queira!"
COMO ASSIM???? Tipo, no fim das contas não devemos só agradar vocês, temos que ter vontade de agradar vocês sempre que querem ser agradadas e é justamente neste aspecto que os homens são mais simples, queremos que vocês façam algo, se vocês não querem fazer e mesmo assim fazem, não achamos ruim, ao contrário, achamos um puta esforço que merece ser reconhecido.
 "Amor faz cafuné!" "ok, amor..." "ah se é pra fazer de má vontade, eu n quero!"
Isto é um cafuné ou uma massagem energética que a minha vontade de fazê-la influencia no resultado???
Aprendam, se um homem se dispõe a fazer algo, é porque ele gosta de você, se ele não se dispõe, não é porque não gosta, pode ser só porque ele não sabe que você quer aquilo! Antes de começar um inferno astral, peça!!! 
As frases: "amor, vem ficar comigo!" "me dá um beijo!" "tou com saudade" podem salvar o relacionamento e ouvir a razão dele não ter feito algo, antes de chegar de voadora também!